ORIENT IS FULL OF LOVE

O Oriente é o lugar mais inspirativo do mundo. E é de lá que se extrai as padronagens, estampas, desenhos, mantos e quimonos mais incríveis do universo. Ao mesmo tempo que é rico em diversidade étnica e cultural é simples no traço, na síntese gráfica e na composição dos desenhos. Tudo repleto de tradições místicas, religiosas e simbólicas que carregam distinções sociais feitas por meio do vestuário.

Um dos tradicionais exemplos dessa distinção no vestuário asiático foi quando os guerreiros nômades “manchu” derrubaram a dinastia ‘Ming’, em 1644, e fundaram a dinastia Ch’ing, que assumiu a maior população do mundo, a maior burocracia e um dos tribunais mais luxuosos de toda a existência. A fim de facilitarem uma transição ordenada, que protegesse contra a política de assimilação total, os manchus se ajustaram em uma burocracia de estilo chinês e adotaram uma religião budista, ao mesmo tempo, à aplicação de certas diferenças étnicas e culturais. Uma das mais significantes distinções feitas foi a do vestuário tribunal. Os mantos oficiais do tribunal sofreram alterações em seus volumes, no corte, de mangas largas, na cor, que passou do vermelho para o amarelo e nas botas de montaria, típicas de sociedades nômades guerreiras durante as dinastias Ch’ing e Ming. Esses mantos representaram um dos sistemas mais suntuosos e simbólicos já desenvolvidos para uma veste de oficiais, junto à cor e os acessórios eles eram usados por todos os homens e mulheres associados ao trono do dragão e traçava as distinções entre a nobreza, os títulos oficiais e o status social.A cor amarela era reservada para as roupas usadas pelos cargos mais altos, como o imperador, a imperatriz, a imperatriz viúva e o futuro herdeiro do trono. A outra maioria dos nobres e funcionários eram obrigados a usarem marrom ou azul nas vestes num tipo de veste semiformal.  A classificação exata de um oficial de justiça podia ser determinada pela cor da sua roupa, pelo desenho simbólico do dragão e pelos materiais que eram usados para decorar seus acessórios: como a pedra que era usada como remate no chapéu e os crachás com animais desenhados.

Na China, os ‘Miao’ são uma das várias minorias étnicas que vivem nas áreas montanhosas subtropicais do sudoeste do país. Diferentes grupos, por milhares de anos, desenvolveram tradições culturais que estão se tornando cada vez mais reconhecidas por sua extraordinária riqueza artesanal de têxteis e jóias de prata. O trabalho com tecidos inclui bordados, brocados, batiks e enfeites à mão que os tornaram conhecidos no mundo todo. A chapelaria que eles confeccionam é de abismar, toda feita de prata. Uma variedade sem fim: flores de cabeça de prata, argolas de prata, pinos de prata, lenços de prata, turbantes de prata, chapéus esvoaçantes de prata, grampo de prata, pente de prata, brinco de prata e assim por diante. É uma região de fantasia onde a mitologia, a técnica e a habilidade afirmam sua identidade cultural e expressão estética.

Até recentemente, algumas dessas aldeias étnicas remotas foram isoladas das outras populações chinesas “medernizadas”, mesmo assim, no entanto, a avassaladora modernização que vem potencializando economicamente a China penetrou em alguns distritos minoritários, como no Guizhou, Guangxi, Yunnan e Guangdong. Com efeito, essas variações econômicas resultantes que também se associam as sociais e educacionais já começaram a corroer a aparência e o uso desses incríveis trajes tradicionais de festa usados pelos ‘Miao’ e pelos outros grupos étnicos. O que é lastimável.

Kenzo Takada já mostrou ao longo de sua carreira que sabe como ninguém olhar para essas culturas, minorias étnicas que povoam o rico e vasto território asiático, traduzindo para o vestuário contemporâneo, para os corpos ocidentalizados.  Kenzo se inspirou em todas as etnias e compôs peças que sobrepunham camadas dos pés à cabeça com modelos que lembravam bonecas russas até ícones religiosos.

Com a sua marca comemorando o 40º aniversário no ano passado, o diretor de criação Antônio Marras homenageou Kenzo nas passarelas com as suas bonecas nômades  representadas pelo exagero da mistura de cores e estampas extraídas nos grupos étnicos de todos os cantos do mundo. Exótico e absurdamente incrível, essa coleção fundia a rica história da marca com a cultura da região de Sardenha, com tradicionais quimonos japoneses decorados com bordados junto com silhuetas repletas de camadas sobrepostas de tecidos estampados, turbantes enormes e luvas que ilustram esse vibrante casamento cultural de etnias.

Algumas estampas lembravam as ondas do gravurista japonês Katsushika Hokusai, um dos principais especialistas em pintura chinesa no Japão. Apesar de toda a extravagância dos modelos tradicionais e exóticos dos grupos orientais e do vestuário asiático, nos desenhos é possível notar uma forte simplificação de traços e o uso muito aprimorado da cor. O que vêm do uso da xilogravura como uma das principais técnicas artísticas contribuindo para essa síntese gráfica tão características na arte japonesa. O mais interessante de olhar pra essas culturas é então perceber o quanto suas tradições são tão ricas e decorativas enquanto a estética artística oriental é totalmente simples e gráfica. Assim tendo elas como ponto de referência, se pode criar peças incríveis em mantos, quimonos e aventais cheios de camadas de tecidos combinando com estampas e detalhes gráficos bem simplificados. Vindo do Oriente tudo é permitido.

A Grande Onda de Kanawaga, 1930.

Oshiokuri Hato Tsusen no Zu, 1805.

 

 

 

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3 Respostas para “ORIENT IS FULL OF LOVE

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  2. Que post legal. De onde você tira tanta informação?

  3. Amei !!!!!!!!!!!!! Sou artista plástica e passei pela facul de moda. Me identifiquei com seu trabalho. Parabéns VC é uma pessoa maravilhosa!!!!
    Manuela

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