SINTETIZADORES TEXTEIS PARA NOMADES

Para ter uma banda hoje já nem é mais preciso ser um instrumentista, nem entender de teoria musical, basta vestir a tecnologia encantadora que incorpora os tecidos. Já podemos pensar em  roupas para nômades emitindo barulhos para algum tipo de sinalização, ou melhor, roupas musicais, roupas-bandas, roupas-instrumentos, ou roupas que quem está a fim de montar uma banda veste e a própria roupa emite o som conforme o movimento do corpo.

Parece difícil de imaginar, mas quem pensou nisso primeiro foi a dupla sueca Jeannine Han e Dan Hiley, responsáveis pelo projeto que desenvolve módulos baseados nos tecidos e nas interfaces eletrônicas sensoriais que controlam e sintetizam a música conforme os movimentos corporais. Ou seja, eles incorporaram sensores de toque, parecidos com esses usados nas telas de toque de iPod, no tecido, daí um microcomputador AVR com o código de detecção do toque converte os gestos da mão do usuário ao longo da peça em comandos geradores de música, os quais produzem o som.

A área têxtil sensorial se estende desde o pescoço até a região da cintura e através dela é possível criar sons de harpa, piano, guitarra e qualquer som já inventado até agora na música. O instrumento têxtil cria então uma ligação natural entre movimento e som que permite ao usuário compor e improvisar o que quiser de maneiras alternativas, o que é quase impossível de se fazer com os instrumentos tradicionais.

Outra coisa importante de se observar é a preocupação que Jeanine teve com o aspecto estético das peças, parecendo que são mesmo feitas para nômades, de modo que são criadas  para apresentar personagens que caracterizam essa mudança de ambientes, tão típica dos nômades e até mesmo das bandas. Foram criados quatro personagens que integram uma espécie de banda mesmo  e segundo os autores do projeto, esses personagens foram criados  a partir de reflexões sobre a autotransformação, a transcendência, as curiosidades, e tudo aquilo que  os indivíduos aspiram.  Daí então a intenção é que a apresentação  final desses personagens com toda a performance montada vai acontecer num contexto de uma obra de arte ritualística em um ambiente com controladores de sons, o que vai servir para reforçar os laços sociais entre esses nômades performáticos.

Pelo vídeo é possível ter uma noção mais clara disso tudo, apesar de ser bem curto, mostra até onde isso pode ser tão incrível.

Para Jeanine “a roupa é para uma viagem nômade que deseja se comunicar com outros nômades, por isso o som é inspirado pela natureza”, o curioso é que ao mesmo tempo que essas peças são inspiradas no nomadismo, tem um aspecto primitivo e resgata alguns gestos típicos dos nossos ancestrais, como emitir sons para dar sinal ao outro, elas também levantam questões de como os objetos serão produzidos no futuro. Pois, o desafio que se mostra é como desenvolver uma tecnologia que torne mais fácil a produção dessas roupas futuramente. Mas se inseridas de fato no mercado, como vai ser andar pelas ruas emitindo vibrações? Como os músicos vão encarar isso tudo? Como as bandas vão se comportar e qual será o destino dos instrumentos musicais?

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