Arquivo do mês: maio 2011

SUBCULTURAS

As vanguardas, em toda a amplitude que envolve esse conceito, ultrapassaram as manifestações de cunho artístico, e foram propulsoras para uma série de movimentos culturais que passaram a fazer parte da cultura ocidental em meados do século XX. O pensamento libertário vanguardista serviu de fundo ideológico para grupos identitários de subcultura e contracultura, os quais se esforçavam em romper com as estruturas tradicionais da sociedade por meio de expressão individual. Ainda seguiam a linha ideológica vanguardista pelo fato de recusarem aquilo que era imposto por padrões e convenções sociais e pelo esforço de serem reconhecidos socialmente pela individualidade e liberdade pessoal.Nesse cenário se concebeu o surgimento de tribos urbanas ou microgrupos formados por pessoas que compartilham do mesmo pensamento, hábitos e maneiras de se vestir, e que por essas afinidades se constituem em grupos. Tais grupos se reúnem geralmente na rua ou em lugares fechados como clubes, boates e bares, na maioria das vezes sem um motivo definido, apenas pelo fato de “estar junto” com pessoas que compartilham dos mesmos gostos e afinidades.Assim como os povos primitivos e até mesmo as tribos étnicas, as tribos de rua surgiram a fim de nutrir um senso de comunidade e de se unirem a fim de um propósito comum, ou seja, pelo sentimento de estar inserido em um determinado grupo e de poder compartilhar experiências dentro do mesmo. A aparência dessas tribos são delimitadas por estilos diferentes, cada qual podendo ser identificada por um determinado modo de se vestir, maquiar, adornar e tatuar. O estilo, então, funciona como uma forma de traduzir visualmente aquilo que é codificado nas idéias e ideais que juntos compõem uma determinada subcultura.Muitos encaram essas subculturas como fenômonos de “moda passageira”, como grupos que se reuniram apenas por desejos supérfluos ou modismos musicais e que logo irão se desfazer para ceder lugar a outros grupos formados sob a mesma intenção e que irão dar seqüência ao ciclo transitório dos modismos. Mas o fato é que essas tribos permanecem na história como manifestações de resistência cultural, como prova disso existem exemplos clássicos que ainda estão presentes, de uma forma ou de outra na cultura contemporânea, desde música à moda urbana, os Hipsters, Folkies, Rockabillies, Sufers, Mods, Rockers, Hippies, Góticos, Psychobillies, Teddy Boys, Ravers, Punks, Skaters, Indies, Grunges, Cyberpunks, Riot Grrrrls, Glams entre outros ainda interferem nas escolhas, gostos e estilos pessoais. As identidades dessas subculturas vem se multiplicando de uma maneira absurda, nesse sentido, a cultura jovem contemporânea vai contra a homogeneidade de estilo e as microtribos são cada vez mais comuns servindo como um refúgio de tradições e compromissos sociais e uma maneira de interagir com aqueles que compartilham das mesmas formas de pensar. Seja lá qual for a causa, o que leva esses grupos a se formarem ainda continua o mesmo, o mais instigante é notar como o efeito que elas produziram ainda permanece pulsante.